Preparação da Superfície
Para que uma pintura obtenha sucesso, devemos levar em consideração a preparação da superfície, processo que garante maior aderência e durabilidade da tinta. Seguem alguns métodos que devem ser avaliados, observando o grau de preparo mais conveniente para diversos casos.
AÇO CARBONO
Existem várias normas internacionais de preparações de superfícies, a saber:
- SIS 05 59 00 - 1.967 - Swedish Institution Standard - Norma Sueca
- SSPC - Steel Strutures Painting Council - Norma Americana
- NACE - National Association of Corrosion Engineers - Norma Americana
- CGCB - Governo Canadense - Norma Canadense
- BS 4232 - British Standards - Norma Inglesa
- JSRA SPSS The Shipbuilding Research Association of Japan Standards for the Preparation of Steel Surface Prior to Painting - Norma Japonesa
- BR - Petrobras - Norma Brasileira
GRAU A - Superfície de aço com o recobrimento de carepa de laminação, intacta aderente e isento de corrosão.
GRAU B - Superfície de aço com pequenos pontos de corrosão onde a carepa de laminação começa a destacar.
GRAU C - Superfície de aço onde a carepa de laminação foi eliminada através da ação da corrosão ou pode ser removida por raspagem, podendo ser visualizada pequenas cavidades.
GRAU D - Superfície de aço onde a carepa de laminação foi eliminada através da ação da corrosão, e, ainda possui grande formação de cavidades que podem ser visualizadas.
Tipos de Preparações de Superfícies
Padrões Visuais do Preparo de Superfícies em Aço Carbono, nos Graus de Intemperismo A e B -
Conforme Norma Sueca SIS 05 5900
Padrões Visuais do Preparo de Superfícies em Aço Carbono, nos Graus de Intemperismo C e D -
Conforme Norma Sueca SIS 05 5900
Para qualquer preparação de superfície, é fundamental a remoção de toda a graxa, óleo e contaminantes. Esse processo poderá ser feito através de limpeza com detergentes, solventes, vapores e outros. Informamos que este processo de limpeza não remove ferrugem e escamas. Para a utilização de solventes, é importante tomar uma série de precauções quanto a inflamabilidade e toxidez.
Limpeza Manual - Padrão St 2 : A superfície deverá ser lixada, escovada ou raspada manualmente de forma minuciosa, para poder eliminar a carepa de laminação solta, respingos de solda e oxidações. Após este processo, deverá ser utilizado ar comprimido seco ou escova totalmente limpa, procurando manter a superfície com pequeno brilho metálico. Este processo não pode ser utilizado para as superfícies que apresentarem grau A de intemperismo.
Limpeza Manual ou Mecânica - Padrão St 3: Fazer um lixamento, escovamento ou raspagem manualmente ou mecanicamente de maneira minuciosa. Utiliza-se o mesmo processo do padrão St 2, mas de uma forma mais rigorosa. Realizando a limpeza e o escovamento, o aço deve possuir um intenso brilho metálico. Este processo também não poderá ser feito para as superfícies com grau A de intemperismo.
Jateamento Ligeiro BRUSH-OFF - Padrão Sa 1: Jateamento rápido, remove carepas de laminação soltas, ferrugens e outros materiais estranhos. A superfície deverá ser limpa com ar comprimido limpo e seco, escovas isentas de sujeiras ou aspirador. Não se aplica para as superfícies com grau A de intemperismo.
Jateamento Comercial - Padrão Sa 2: Decapagem até que pelo menos 2/3 de qualquer porção da superfície total esteja livre de todo o resíduo visível. O jato deve passar pela superfície durante o tempo necessário para eliminação de quase toda calamina, oxidações e matérias estranhas. Após, eliminar os vestígios do pó abrasivo por aspiração, com ar comprimido limpo e seco ou com escova limpa. A superfície deve apresentar uma cor acinzentada. Tratamento não utilizado para superfícies com grau A de intemperismo.
Jateamento ao metal quase branco - Padrão Sa 2 1/2: O jato deve ser feito durante o tempo necessário para eliminar toda a carepa de laminação, ferrugem e matérias estranhas, de tal forma que qualquer resíduo apresenta apenas como uma ligeira sombra ou mancha sobre a superfície. Imediatamente limpar o pó abrasivo com aspirador, escova limpa ou ar comprimido limpo e seco. Este tipo de preparação deve conseguir que pelo menos 95 % de cada porção da superfície total fique livre de qualquer resíduo visível. A superfície apresentará cor cinza clara.
Jateamento ao metal branco - Padrão Sa 3: Apresentando uma cor cinza clara e uniforme, o jateamento ao metal branco elimina totalmente a carepa de laminação, óxidos e outras matérias estranhas de modo que a superfície ficará livre de resíduos visíveis. É importante ressaltar que posteriormente a limpeza do pó abrasivo deve ser feito com aspirador, ar comprimido e seco ou escova limpa.
Observações
Para o jateamento abrasivo, utiliza-se areia isenta de argila, sais de cloro solúveis (menor que 40 ppm ou 0,004 %) ou outros contaminantes.
O jateamento poderá causar várias formas de aspereza na superfície, basta observar o tipo de abrasivo utilizado, da pressão do ar e técnicas. O perfil ideal para um excelente sistema de pintura é através de uma espessura final em torno de 30 %, confira os tipos de abrasivo na tabela abaixo.
Jateamento Abrasivo Úmido: jateamento abrasivo seco + água. Este método foi adotado para solucionar o problema da poeira seca que causava sobre os equipamentos localizados próximos à área de jateamento.
Mesmo o jateamento úmido sendo inferior ao seco, a limpeza é sem dúvida superior ao tratamento mecânico que não remove os contaminantes existentes. Uma pequena desvantagem do jateamento úmido é o flash rusting, uma corrosão superficial que ocorre na superfície, mas mesmo assim, existem primers que toleram este inconveniente, consulte o nosso departamento técnico para maiores esclarecimentos.
Hidrojateamento: É utilizado somente a água através de alta pressão, deixando a superfície em condições ideais para receber uma pintura. Pelo fato de não ter agentes abrasivos, o hidrojateamento elimina a geração de partículas finamente dividiva, no caso a sílica, a mais crítica.
Esse tipo de preparação é utilizado porque possui algumas vantagens que o jato abrasivo seco não tem, exemplos:
* as partículas provenientes do abrasivo causa poluição, e, ainda contamina facilmente os equipamentos e os processos próximos ao ambiente do jateamento seco.
Há vários termos usados no preparo de superfície através da água com alta pressão, entre eles, citamos o
water jetting, o hydrojetting, o hydroblasting e o water blasting.
Conforme as normas NACE e SSPC, durante o hidrojateamento, para otimizar a limpeza na superfície, a pressão da água deverá ser forçada através de um bico numa pressão superior a 100.000 psi.
Geralmente existem duas faixas de operação das pressões no hidrojateametno (HPH), a variação é de 10.000 a 25.000 psi (680 a 1700 bar), e ultra pressão (UHPH) com pressões acima de 25.000 psi (acima de 1700 bar).
Utilizando-se o hidrojateamento, haverá uma redução de sais, cloretos e a remoção de outros materiais solúveis em água. Os sais quando não são eliminados antes da aplicação do esquema de pintura, causará bolhas no filme da tinta aplicada, tudo isso devido a presença da osmose.
Através do controle de pressão, remove-se seletivamente a camada de tinta em superfícies pintadas, alcançando apenas as camadas mais deterioradas.
É fundamental ressaltar que, o prepapro da superfície por hidrojateamento não causa o perfil de rugosidade no aço novo e com carepa de laminação.
Limpeza a Fogo: É um método utilizado em casos específicos. A limpeza com o uso do fogo se torna um pouco desvantajoso pois poderá ocorrer riscos de incêndios e explosões, também poderá ocasionar empenamentos em aços leves. A principal vantagem é que a superfície de aço fica morna e seca, por isso contribui com a cura inicial ou secagem da tinta aplicada em climas com baixa temperatura. Na superfície de aço carbono encontramos compostos de geradores de ferrugem, com o uso do fogo há uma tendência de passar despercebido essas regiões enferrujadas devido a alta temperatura da superfície.
Após feito o tratamento à chama, devemos prosseguir com uma limpeza mecânica com escova de arame, eliminando os produtos da operação da limpeza com fogo. A superfície deverá ficar isenta de carepa de laminação, tintas, ferrugens e outros materiais estranhos.